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Poluição do ar é o maior risco para a saúde humana, diz estudo

Texto de Issam Ahmed da AFP, com fotos da AFP e curadoria de Daniel Marenco | Washington, EUA

Apesar do cenário, financiamento para enfrentar desafio é uma fração do destinado ao combate a doenças infecciosas, diz estudo

30 de ago. de 235 min de leitura
30 de ago. de 235 min de leitura

Para a maioria das pessoas comuns, a poluição atmosférica é mais perigosa do que o tabaco ou o álcool, e a ameaça é pior no sul da Ásia, o seu epicentro global, apesar das melhoras registadas na China, afirma um estudo divulgado nesta terça-feira (29) e elaborado pelo instituto de Política Energética da Universidade de Chicago (EUA).

O seu relatório anual sobre o Índice de Qualidade do Ar (AQI) mostrou que a poluição atmosférica por partículas finas - procedentes de emissões de veículos e industriais, incêndios florestais, etc. - continua sendo a "maior ameaça externa à saúde pública".

Se o mundo reduzisse permanentemente estes poluentes até o limite estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a expectativa média de vida de uma pessoa aumentaria 2,3 anos com base em dados coletados até 2021.

As partículas finas estão associadas a doenças pulmonares, cardíacas, derrames e câncer. Em comparação, o consumo de tabaco reduz a esperança de vida mundial em 2,2 anos, enquanto a desnutrição infantil e materna é responsável por uma redução de 1,6 ano.

A Ásia e a África suportam a maior carga devido a infraestruturas mais fracas e fundos mínimos para enfrentar a poluição atmosférica. Toda a África recebe menos de 300.000 dólares (1,4 milhão de reais na cotação atual) para esse fim.

"Há uma profunda desconexão entre onde a poluição do ar é pior e onde, coletiva e globalmente, estamos mobilizando recursos para resolver o problema", disse Christa Hasenkopf, diretora de programas de qualidade do ar do EPIC.

Um homem indiano caminha na floresta cercado por neblina e fumaça de vegetação em chamas em Jalandhar, em 30 de novembro de 2018. Foto: Shammi Mehra/AFP
Um indiano caminha na floresta cercado por neblina e fumaça da vegetação em chamas em Jalandhar, em 30 de novembro de 2018. Foto: Shammi Mehra/AFP

Embora exista uma associação financeira internacional chamada Fundo Global que investe 4 bilhões de dólares (19 bilhões de reais na cotação atual) por ano no HIV/aids, na malária e na tuberculose, não existe nenhum fundo equivalente para a poluição atmosférica.

"No entanto, na República Democrática do Congo (RDC) e nos Camarões, a poluição atmosférica encurta mais anos de vida de uma pessoa média do que o HIV/Aids, a malária e outras ameaças à saúde", afirma o relatório.

Bangladesh lidera o ranking

O sul da Ásia é a área mais afetada em todo o mundo. Bangladesh, Índia, Nepal e Paquistão são, nessa ordem, os quatro países mais poluídos pelas suas médias anuais de partículas finas, que são detectadas por satélite e são definidas como partículas com diâmetro inferior a 2,5 mícrons(PM2,5).

As concentrações de poluição são então incluídas no índice AQI, que mede o impacto na expectativa de vida.

Os habitantes de Bangladesh, onde os níveis médios de PM2,5 eram de 74 microgramas por metro cúbico, ganhariam 6,8 anos de vida se fossem reduzidos aos 5 microgramas por metro cúbico estabelecidos pela OMS.

Deli, a capital da Índia, é "a megalópole mais poluída do mundo", com uma média anual de 126,5 microgramas de partículas por metro cúbico.

A China "fez progressos de destaque em sua guerra contra a poluição atmosférica" que começou em 2014. A poluição caiu 42,3% entre 2013 e 2021. Se esta tendência continuar, cada chinês poderá viver mais 2,2 anos.

O horizonte de Manhattan é visto por pessoas usando máscaras enquanto a fumaça dos incêndios florestais no Canadá causa condições nebulosas na cidade de Nova York, em 7 de junho de 2023. Foto: Ed Jones/AFP
O horizonte de Manhattan é visto por pessoas usando máscaras enquanto a fumaça dos incêndios florestais no Canadá causa condições nebulosas na cidade de Nova York, em 7 de junho de 2023. Foto: Ed Jones/AFP

Nos Estados Unidos, regulamentações como a Lei do Ar Limpo ajudaram a reduzir a poluição em 64,9% desde 1970, o que aumentou a esperança de vida dos americanos em 1,4 ano.

Mas a crescente ameaça de incêndios florestais – associada às temperaturas mais elevadas e à menor quantidade de água devido às mudanças climáticas – aumentaram a poluição atmosférica no oeste dos Estados Unidos, América Latina e Sudeste Asiático.

Por exemplo, na temporada de incêndios florestais de 2021 na Califórnia, o Condado de Plumas recebeu uma concentração média de partículas finas mais de cinco vezes superior à relatada pela OMS.

A melhoria da poluição atmosférica na América do Norte nas últimas décadas é semelhante à da Europa, mas ainda existem grandes diferenças entre a Europa Ocidental e Oriental. A Bósnia é o país europeu mais poluído.

Ciclista em meio a condições de forte poluição atmosférica em Nova Delhi, em 16 de novembro de 2021. Foto: Money Sharma/AFP
Crianças em idade escolar dirigem-se para a escola enquanto a neblina dos incêndios florestais cobre Palembang, em 14 de outubro de 2019. Foto: Abdul Qodir/AFP
Um barbeiro paquistanês faz a barba de um cliente ao lado de uma estrada em meio a forte neblina e poluição atmosférica em Lahore, em 24 de janeiro de 2019. Foto: Arif Ali/AFP
Uma pessoa tira uma foto da poluição atmosférica sobre Santiago, em 9 de julho de 2018. Foto: Cláudio Reyes/AFP
Um vendedor paquistanês carrega balões em uma rua em meio à forte poluição atmosférica em Lahore, em 9 de novembro de 2017. Foto: Arif Ali/AFP
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