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EM DESTAQUE#YANOMAMIS

Febre Dourada

Daniel Marenco | Amazônia, Roraima

Em agosto de 2019, nos primeiros anos do governo que havia prometido que, se assumisse, "índio não terá mais 1cm de terra", adentrei a maior reserva indígena do país para contar a história do que já era considerada a nova corrida pelo ouro.

30 de mar. de 223 min de leitura
30 de mar. de 223 min de leitura

Na Terra Indígena Yanomami, testemunhei um clima de tensão e um rastro de destruição. Se hoje nos chocamos com a situação dos Yanomami, nesta reportagem já tínhamos cogitado o medo de um genocídio. Nos primeiros anos de seu governo, o garimpo já atraía 15 mil homens encorajados pelo anúncio do presidente Bolsonaro de que pretendia legalizar a exploração em áreas indígenas

Na maior reserva indígena do Brasil, em plena Amazônia, uma legião de garimpeiros sobe os rios Mucajaí e Uraricoera para buscar, com as próprias mãos, toneladas de ouro que abastecem uma economia ilegal e predatória. Os ianomâmi viram seu território ser invadido por até 15 mil garimpeiros, dos quatro cantos do país, também estimulados pelo discurso anti-indígena e pró-garimpo do presidente da República. O resultado é um misto de miséria, tensão, conflitos, degradação e contaminação sem paralelo nos últimos anos, equiparando o momento às corridas do ouro que os índios precisaram enfrentar nas décadas de 80 e 90.

Na terra indígena ianomâmi, o Rio Mucajaí é largo, curvilíneo e margeado por uma exuberante floresta. Tem águas mais turvas do que o comum para o atual período de chuvas, um indicativo da atividade garimpeira na região. Os invasores sobem o rio em canoas de médio porte e motores potentes, por dias, para chegar às áreas de exploração de ouro.

Uma fumaça na mata, um banco de areia na margem ou um motor exposto, sugando a água do rio, são os sinais mais óbvios de que, naquele lugar, está em operação um garimpo ilegal. Pelo ar rasgam, o tempo todo, pequenos aviões carregados de gente e ouro. A mata densa esconde trabalhadores abrigados sob a lona. Quando estão trabalhando, eles submergem nas crateras abertas após o desmatamento. Dali, sairá o metal cobiçado: o ouro.

VEJA O MINIDOC - O garimpo ilegal em terras Yanomami

O documentário abaixo, de 24 minutos, é um flagrante da exploração ilegal do ouro no território ianomâmi em Roraima e um registro da complexidade do problema, cada vez mais distante de uma solução. O doc integra uma série de reportagens e publicações feitas à época para o Jornal O Globo e revelam como operava o garimpo ilegal na maior terra indígena brasileira.


*matéria originalmente publicada no Jornal O Globo, em agosto de 2019.

#YANOMAMIS
GARIMPO ILEGAL
TERRA INDÍGENA
JAIR BOLSONARO
AMAZÔNIA