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2022, deu pra ti

Daniel Marenco | Porto Alegre (RS)

Todo ano abre com uma tragédia, depois um escândalo político, uma personalidade que nos deixa, alguém levanta uma taça em um evento esportivo. Mas 2022 foi diferente

24 de dez. de 227 min de leitura
24 de dez. de 227 min de leitura

O Brasil repete quase todo ano o mesmo ciclo de acontecimentos. Quase. Isso porque alguns fatos extrapolaram 2021 e avançaram no novo ano. O ano de 2022 começou com a pesquisadora da Fiocruz Pernambuco, Tereza Lyra, afirmando: “O mundo nunca viu tantos casos de covid-19 em um só dia”. Janeiro seguia com o sofrimento do avanço de novos milhões de casos dos meses anteriores.

Outros fatos não falharam em se repetir. Início de ano, época das fortes chuvas em grande parte do país, as nossas repetidas catástrofes climáticas sempre acontecem. E neste ano, depois de sucessivos ataques ao meio ambiente, Pantanal e Amazônia arderam em chamas, com o desmatamento batendo recordes. Receita inevitável. O mês de Fevereiro fez de Petrópolis o cenário da tragédia. Outra vez. Falta de planejamento urbano na cidade que até hoje cobra o imposto do rei ceifou centenas de vidas e destruiu o que muita gente levou a vida toda para construir.

Foto: Bruno Kaiuca
Foto: Bruno Kaiuca

E se aqui sofríamos com tragédias ambientais, ou sociais, o mundo começava a atentar à ameaça russa. A invasão da Ucrânia se iniciou também em fevereiro. E um dos cenários cruéis das guerras são pessoas que tentam fugir. Se aqui um - também - refugiado era linchado até a morte em um quiosque da zona sul carioca, no mundo uma leva de Moïses só aumentou.

Fotos: Genya Savilov/AFP, Aleksey Filippov/AFP, Aris Messinis/AFP, Bulent Kilic/AFP, Sergei Supinsky/AFP e Dimitar Dilkoff/AFP
Fotos: Genya Savilov/AFP, Aleksey Filippov/AFP, Aris Messinis/AFP, Bulent Kilic/AFP, Sergei Supinsky/AFP e Dimitar Dilkoff/AFP

Só que 2022 tinha tudo para ser um ano diferente nas expectativas. O Brasil de olho em um só assunto, eleição. E março foi o mês que se começou a ventilar a possibilidade de união entre o hoje presidente eleito, Lula, com o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Deu certo. Fora daqui, a política também roubou a atenção. Uma onda de extrema direita cresceu e quase levou a França, mas deu Macron. Que não é de esquerda. Na Itália, ela venceu. A onda não foi marola e lá, como aqui, parece que veio pra agitar as águas calmas da democracia.

E se abril foi o mês que marcou a estreia de "Medida Provisória", um filme onde se imaginava o governo brasileiro querendo deportar toda a população preta para a África, como reparação histórica, maio marcou o mês de confirmar que o governo do "mundo real" trabalhava menos que um trabalhador CLT. O cientista Dalson Figueiredo, através de um levantamento da agenda presidencial, calculou a quantidade de horas trabalhadas na jornada palaciana: Bolsonaro cumpria 3 horas por dia.

Maio ainda terminaria com mais notícia ruim: outra operação desastrada levou a dezenas de mortes nas favelas cariocas. No pique violência, junho começou com o desaparecimento do jornalista inglês Dom Phillips, colaborador do jornal britânico The Guardian, e o indigenista brasileiro Bruno Pereira, no Vale do Javari, na Amazônia. Eles sumiram quando faziam um trabalho de campo sobre o garimpo e o desmatamento ilegal. Os dois foram mortos por Amarildo da Costa Oliveira, o “Pelado”.

Fotos: João Laet/AFP e Daniel Marenco/HDLN
Fotos: João Laet/AFP e Daniel Marenco/HDLN

E como estamos falando em retrospectiva, o Brasil não deixaria de ter seu escândalo político anual. Ou pelo menos um deles. Em junho ele ocorreu no MEC. O ex-ministro da Educação Milton Ribeiro usou jatos da FAB para ir ao Maranhão um mês após pedido de propina em ouro feito por um pastor. Acabou caindo.

E já cansados da pandemia, julho trouxe outra preocupação na área da saúde. Naquele mês, Headline conversou com a doutora Camila Romano, pesquisadora do Hospital das Clínicas de São Paulo, sobre os mais de 100 casos da varíola do macaco. Enquanto isso, na Amazônia, seguia a passagem da boiada. O MapBiomas, que mapeia anualmente o uso e a cobertura de terra no Brasil, constatou em estudo que 97% do desmatamento tinha um responsável: a agropecuária.

Fotos: Mauro Pimentel/AFP e Douglas Magno/AFP
Fotos: Mauro Pimentel/AFP e Douglas Magno/AFP

Nós nos tornamos repetitivos. Parecemos ter uma queda insana em cometer os mesmos erros. Desmatamos, queimamos, transformamos em pasto e depois sofremos com mais e mais extremos climáticos. Agosto, as chuvas torrenciais deixaram o país de novo em situacão caótica. Desta vez, no Nordeste. E como não aprendermos nada com nossos traumas, foi o mês de a justiça anular o júri e soltar os réus do incêndio da boate Kiss.

Em agosto, nós da Headline tivemos motivos de nos alegrar. Mudamos nosso design das redes sociais, que ficaram mais modernas e atraentes. Comemorávamos nossas pequenas vitórias, mesmo temerosos pelos rumores de golpe institucional na eleição que se aproximava. E se hoje sabemos que esta extrema direita veio para ficar, nós também podemos garantir: a qualidade visual dos nossos produtos será sempre inegociável.

Setembro se iniciou com uma desconfiança sobre as pesquisas eleitorais brasileiras e também o mês também de olhar a Argentina. O país foi às ruas numa incrível manifestação depois do atentado contra a ex-presidente e hoje vice-presidente Cristina Kirchner. Agora um tribunal argentino a considerou culpada de corrupção e a condenou a seis anos de prisão, com proibição de ocupar cargos públicos. E enquanto o Chile ia às ruas para comemorar a rejeição a um projeto de Constituição, no Reino Unido as pessoas foram às ruas para chorar a morte da Rainha Elizabeth II.

Fotos: Niall Carson/AFP, Marco Bertorello/AFP, Ben Stansall/AFP e Dan Kitwood/AFP
Fotos: Niall Carson/AFP, Marco Bertorello/AFP, Ben Stansall/AFP e Dan Kitwood/AFP

E chegou outubro, o mês que todos esperavam. Aliás, não se falava em outra coisa havia algum tempo. Setembro fechou com o primeiro debate entre os principais candidatos, o novo mês de outubro bastou para se pôr tudo em dúvida: urnas eletrônicas, pesquisas eleitorais, quantidade de ministros do STF, imunidade - ou seria impunidade? - parlamentar capaz de encorajar presidente de partido a dar tiros em policiais federais. Vimos o pleito mais tenso da recente história política brasileira. Digno de teste cardíaco.

E nesse período do ano, se a frente ampla política estava cada vez mais consolidada, nós, da Headline, que temos bagagem suficiente para lidar com situações palpitantes cumulativas, dávamos um passo bem importante. No início de outubro, lançamos oficialmente Headline no mercado jornalístico brasileiro, com festa, em São Paulo. Terminávamos o mês mais aguardado do ano com a plataforma lançada e o resultado oficial das urnas (confiáveis, sim!). Democracia acima de tudo!

Novembro foi o mês de procurarmos Bolsonaro. O presidente derrotado sumiu. Apareceu para falar da derrota só 48h após o resultado das eleições. Depois, se enclausurou de novo. Nesse vácuo institucional, quem decidiu aparecer foram os apoiadores. Teve gente - pasmem, ainda tem - queimando pneus, caminhões, carros, tentando invadir prédio da PF, bloqueando rodovias, às portas dos quartéis, pedindo - até para alienígenas - anulação da eleição e intervenção militar. O Brasil definitivamente não é para amadores.

Fotos: Evaristo Sá/AFP, Daniel Marenco/HDLN, Tércio Teixeira/AFP e Sérgio Lima/AFP
Fotos: Evaristo Sá/AFP, Daniel Marenco/HDLN, Tércio Teixeira/AFP e Sérgio Lima/AFP

Mas, se as ruas inflamaram, nós da Headline crescemos. Novembro foi o momento de apresentarmos nossos articulistas de opinião. Um timaço digno de seleção de Copa do Mundo. Enquanto Richarlyson animava a esperança brasileira com voleios, a chegada desses craques trazia a promessa de boas novas para o ano que se avizinha. E como News Plataform, outros parceiros ainda chegarão para somar na dura tarefa de informar e informar bem. Aguardem, 2023 promete.

E para finalizar, já que a época é de anúncios, enquanto Lula indica os ministros, eu, particularmente responsável pelo visual do que produzimos, também quero fazer os meus. O próximo ano terá a chegada dos jornalistas visuais independentes. Fotógrafas e fotógrafos, com seus canais próprios, que queremos parte dessa história. Headline funcionando com um agregador de talentos indiscutíveis na tarefa de contar histórias. Fiquem ligados, pois vocês não imaginam o quão pesado chegaremos em 2023!

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